Educação do futuro terá de ser criativa, conectada e inclusiva

Atualizado: 17 de Ago de 2019

Veja como a escola pode se tornar mais aberta à inovação


Unidade de Recife do Nave (Núcleo Avançado de Educação)

Em maio deste ano, Brenda Costa, cofundadora da OxenTI Menina, entidade que estimula garotas a desenvolverem-se nas carreiras de ciência e tecnologia, participou da edição nordestina da competição internacional Technovation Challenge, como jurada. As competidoras – foram 15 times da Bahia, Sergipe e Pernambuco - eram estudantes dos ensinos fundamental e médio, que tinham o desafio de criar aplicativos para resolver problemas em suas comunidades.

 

Em um artigo publicado no site da OxenTI Menina, a mentora e jurada revelou o orgulho que sentiu pelo esforço dos times, que desenvolveram aplicativos de saúde feminina, educação financeira para crianças, reciclagem de lixo e alfabetização para surdos, entre outros. 


“As meninas estavam empolgadas, nervosas e afiadas. Me conectei com cada grupo de uma forma diferente e pude perceber a importância do apoio das famílias e da escola durante o processo”, escreveu Brenda, que será uma das palestrantes do painel ‘Tecnologia, Impacto Social e Diversidade’, que acontecerá nesta quarta-feira, 07, no Seminário Humanize[se], evento  do Fórum Agenda Bahia 2018.

Junto com ela estarão Sil Bahia, do Olabi MarkerSpace e fundadora do PretaLab,  e Ka Menezes, que preside o Raul Hacker Club e é professora da Faculdade de Educação da UFBA. As três vão apresentar seus projetos e mostrar como usar a tecnologia para disseminar conhecimento..

Brenda Costa, da OxenTI Menina

Educação aberta


A OxenTI Menina e o Raul Hacker Club trabalham com educação em moldes diferentes do que faz uma escola tradicional, cujo formato é cada vez mais  questionado diante das mudanças ocasionadas pela revolução digital.  

Em todo o mundo, iniciativas mais livres e abertas surgem como alternativa ao ensino clássico, justamente por focar em habilidades sociais mais do que em fórmulas prontas de conteúdo.


“Ainda estamos muito pragmáticos nas coisas. Nossa educação é definida em caminhos muitos prontos, você estuda para ser médico, advogado. São poucos os estímulos para descobrir como as coisas funcionam, como aquilo é feito. Temos que parar de matar a criatividade”, opina Ka Menezes.


O desejo dela e da turma que toca o projeto Raul Hacker Club é democratizar o compartilhamento de conhecimento. ”Temos projetos super legais. Quando queremos falar de segurança digital, lançamos um chamado e as pessoas vêm para o espaço e criam juntas”, conta.

Ka Menezes, do Raul Hacker Club

O exemplo finlandês


Em entrevista recente ao CORREIO, o embaixador da Singularity University, Conrado Schlochauer, também palestrante do Fórum Agenda Bahia 2018, disse não saber ainda como será a educação do futuro. Mas, para ele, a escola terá de focar mais na capacidade de resolver problemas e exigir menos a memorização de conteúdos.


Em países como a Finlândia, considerado referência mundial em educação e que serve de modelo para outras nações, a grade no ensino médio, por exemplo, mesmo nas escolas regulares, é montada pelos estudantes a partir de seus interesses. 


A nova reforma do ensino médio no Brasil prevê a mesma possibilidade. A diferença é que as escolas finlandesas, que são quase todas públicas, contam com conselheiros que acompanham os estudantes e os ajudam a descobrir quais são esses interesses, habilidades e anseios.


Ainda segundo Schlochauer, independente do modelo de escola, ou mesmo para quem já está no mercado de trabalho, os novos tempos exigem disposição para a educação continuada.


"Tem um monte de coisas que um número pequeno da população sabe, conhece ou utiliza. E quanto mais gente tiver conhecimento, melhor. Aplicar a tecnologia em prol de mudanças positivas é saber que ela é meio. É conversar com o ser humano e entender o que a gente quer como sociedade", afirma.


Lógica hacker


Como ensina Ka Menezes, nos novos tempos, a educação precisará aplicar a lógica hacker: testar, colaborar e persistir. “Um espaço hacker nasce de uma visão positiva do que é ser hacker. Quando falamos da visão positiva, colocamos ênfase no conhecimento tecnológico especializado, no compartilhamento de aprendizado, abertura da pessoa para aprender e para ensinar. Daí vem a ideia da liberdade para você poder produzir, testar e errar”, explica.


O Raul Hacker Club, que fica no Rio Vermelho, é um espaço hacker mantido pelos próprios membros, que pagam um valor mensal em quotas variáveis, de acordo com as possibilidades de cada integrante, acrescenta Ka Menezes: 

“É como um laboratório de tecnologia comunitária e aberta. Juntamos pessoas que tem interesse em tecnologia e que querem partilhar o mesmo espaço e conhecimentos”.

Conheça cinco das escolas mais inovadoras do mundo:


The Bath Studio School - Inglaterra

A escola tem uma linha pedagógica bem diferente e que foge da educação tradicional. As atividades de ensino são conduzidas em formato de projetos, incentivando o empreendedorismo dos alunos, em um ambiente que simula o que os jovens vão encontrar no mercado de trabalho


Steve Jobs School

Nessa escola, a família também participa. Duas vezes por semana, pais, mães ou tutores das crianças são chamados para ministrar workshops de temas como ioga, fotografia e finanças. Já as salas de aula têm sofás e poltronas para que as crianças sintam-se em casa 


Ørestad Gymnasium - Dinamarca

O ginásio público destaca-se pela arquitetura inovadora, que favorece ambientes abertos de estudo em vez das salas fechadas tradicionais. A escola também oferece 11 especializações junto com o ensino regular: Saúde, Biotecnologia, Ciência, Mídia, Jornalismo, Língua, Inovação, Globalização, Psicologia, Música e Design.


Projeto Âncora - São Paulo

Situada na cidade de Cotia, no sudoeste da Região Metropolitana Paulista, a escola é bem diferente: não tem aulas, turmas, séries ou provas e prioriza um ensino humanizado. A metodologia leva em conta os interesses, necessidades, aptidões e potencialidades de cada estudante.


Núcleo Avançado em Educação (Nave) - Pernambuco

O programa de ensino médio integrado ao profissional é desenvolvido em parceria com as Secretarias de educação dos estados do Rio de Janeiro e de Pernambuco. Com escolas instaladas em Recife, desde 2006, e no Rio, desde 2008, forma jovens para trabalhar com inovação e tecnologias digitais.


Empregos mudarão e educação terá de adaptar-se


O Relatório Desenvolvimento Global – A Natureza Mutável do Trabalho (WDR 2019), recentemente lançado pelo Banco Mundial, destaca que, entre outros fatores, para a força de trabalho mundial se adaptar às novas tecnologias, vai ser preciso que empresas invistam cada vez mais em educação. 


O relatório endossa os prognósticos da pesquisa divulgada em julho deste ano pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), que afirma que pelo menos 30 novas profissões deverão surgir ou adaptar-se até 2050 diante da Inteligência Artificial e da automação na indústria. 

Isso significa que a escola em todos os níveis, do ensino fundamental à universidade, precisará avançar na mesma velocidade que a revolução digital, sob o risco de perder o contato com a realidade.


“A maioria das crianças que atualmente estudam no ensino fundamental trabalhará em áreas que nem sequer foram criadas”, afirma Mariana Kaipper Ceratti, do Banco Mundial, em artigo publicado no jornal  El País, no mês passado, na divulgação do  WDR 2019.

O relatório, entre exemplos positivos de adaptação aos novos tempos, cita o programa ‘Chile Cresce Contigo’, que integra os serviços chilenos de saúde, educação, bem-estar e proteção social. O primeiro contato da criança com o projeto ocorre ainda no útero, durante o primeiro pré-natal da mãe.


Ainda segundo WDR 2019, o mercado de trabalho do futuro também será marcado pela batalha entre automação e inovação: “Capital humano consiste no conhecimento, nas habilidades e na saúde que as pessoas acumulam ao longo da vida, capacitando-as a realizar seu potencial como membros produtivos da sociedade”, define o documento.


Oficinas vão abordar as competências do futuro


As oficinas e painéis programados para acontecer na parte vespertina do Seminário Humanize[se] abordarão aspectos diferentes da formação de cidadãos e profissionais para o futuro. 


Do incentivo à criatividade ao uso da Inteligência Artificial na indústria 4.0, passando por robótica e programação, cada uma das atividades propostas vai indicar os caminhos que os negócios e as relações de trabalho deverão seguir com o advento da era digital.

O painel ‘Pessoas e Tecnologia: criando novas relações de trabalho’, apresentado por Marcelo Arantes, da Braskem, vai mostrar como a tecnologia pode ser aliada na transformação das relações corporativas.   


A oficina ‘Psico-Estética: A Arte Prática do Design Thinking’, comandada pelo designer americano Frank Tyneski, vai mostrar como funciona a psico-estética, ferramenta  que permite às empresas um conhecimento mais preciso e detalhado de seus públicos de interesse e desejos dos clientes.


Enquanto a oficina Criative[se], a cargo de Alessandra Terumi, consultora de design organizacional e inovação, vai mostrar práticas para despertar e exercitar a criatividade no dia a dia, na vida e no trabalho.

Primeira das oficinas a ter as inscrições esgotadas, ‘O mundo mudou. E você?’, do diretor de MBAs da FIAP, Eduardo Endo, abordará de que forma as pessoas podem se adaptar às mudanças que acontecem velozmente.


Autoria: Andreia Santana

Noticia retirada de: O Fórum Agenda Bahia 2018 é uma realização do jornal CORREIO, com patrocínio da Braskem, Sotero Ambiental e Oi, apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador, Consulado Geral dos EUA no Rio de Janeiro, Federação das Indústrias da Bahia (Fieb) e Rede Bahia; e apoio do Sebrae e da VINCI Airports.

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